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ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA JAGUARIBANA (EFA) HOMENAGERÁ O LÍDER COMUNITÁRIO ZÉ MARIA DO TOMÉ

November 23, 2016

 

A EFA Jaguaribana realizou um encontro de formação no dia 19 de novembro de 2016, no distrito de Olho d’Água da Bica, em Tabuleiro do Norte, com a presença de representantes de comunidades da região onde se instalará a EFA.

 

Dentre outros pontos, foi feita uma discussão sobre os nomes propostos para a EFA, sendo eles EFA Jaguaribana Zé Maria do Tomé e EFA Jaguaribana Dom Pompeu Bezerra Bessa. A liderança dessas duas pessoas são notadamente reconhecidas na região do Vale do Jaguaribe e a opção por uma não significa um desmerecimento da outra. Pelo contrário, a EFA Jaguaribana terá o compromisso de guardar a memória de tantas pessoas que lutaram pela vida e pelos direitos humanos no Vale do Jaguaribe, podendo homenageá-las em vários espaços da Escola. No entanto, os participantes optaram pelo nome de Zé Maria do Tomé.

 

Anjerliana, da Cáritas de Limoeiro, frisou a importância da memória de Zé Maria para as lutas da região: “Zé Maria iniciou sozinho e, aos poucos, outras pessoas e instituições foram se juntando a ele. Não é apenas a pessoa de Zé Maria, mas as lutas que ele representa. E por causa dessas lutas ele foi assassinado”. Thiago Valentim, da CPT, também afirmou: “O nome Zé Maria do Tomé significa também um projeto, que será assumido pela EFA. É um nome que congrega várias pessoas e organizações em torno das lutas pela terra, pela água e contra os agrotóxicos no Vale do Jaguaribe”. A Escola passa a se chamar, então, Escola Família Agrícola Jaguaribana Zé Maria do Tomé.

 

José Maria Filho foi assassinado no dia 21 de abril de 2010, com mais de vinte tiros, à queima roupa, próximo a sua residência, na comunidade de Tomé, zona rural de Limoeiro do Norte (CE). Destacou-se na luta contra a pulverização aérea de agrotóxicos, na Chapada do Apodi, Ceará. Essa atividade promovida por grandes empresas do agronegócio, causa a contaminação da água, plantações e solo das comunidades da região. Além disso, provoca diversas doenças nos trabalhadores das empresas e moradores. Essas denúncias encontraram repercussões em ações judiciais, procedimentos do Ministério Público (Estadual, Federal e Trabalhista) e em inúmeras pesquisas acadêmicas.

 

Além das denúncias sobre as consequências do uso de agrotóxicos, Zé Maria do Tomé enfrentou diretamente as grandes empresas do agronegócio e denunciou irregularidades na concessão de terras nos perímetros irrigados da região. Esses perímetros provocam um processo de desapropriação (e mesmo expulsão) de pequenos trabalhadores rurais e concedem as terras para grandes empresas exportadoras de frutas.

 

A luta de Zé Maria tem inspirado lutadoras e lutadores do povo no Vale do Jaguaribe a continuar com a defesa da vida das pessoas e da natureza e a denúncia dos conflitos surgidos a partir da hegemonia do grande capital, através do agronegócio, com todos os seus impactos para a saúde e o meio ambiente. Após sua morte, surgiram várias articulações envolvendo pastorais, movimentos sociais, sindicatos, pesquisadores para a defesa das comunidades e a luta por direitos.

 

 

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